Festa Junina

A cada dia o homem consegue aprender mais. Adquire o conhecimento ao alcance dos dedos a uma milionésima rapidez. Pena que sua burrice também o acompanha com tamanha ferocidade. Queremos uma titulação como se essa fosse tornar-me outra pessoa; e entendemos que o bem material é atribuído ao que traz felicidade. Mas na mesma hora optamos por vestir um jeans rasgado, uma camisa quadriculada e pintar os dentes de preto. Em sua vida urbana e dita perfeita, transportamos ao modo de vida simples e rústico do campo. Quanta felicidade! E pensar que o verdadeiro conhecimento da vida eles também conseguem ter ao alcance de seus dedos. No toque da natureza, ela ensina. Ensina que o silêncio e água vão valer mais que ouro; que o maior título de um homem é na verdade o título de bom caráter; e que o verdadeiro bem que se deve preservar é o bem estar físico. Saber apreciar a vida é o melhor que se pode aprender.

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Festa Junina

Ouro Preto

Para Lorenna Matos

Pergunta-me se a amo de verdade
Respondo com coisas simples da vida
não falo de pôr-do-sol ou liberdade
apenas do seu olhar na despedida. 

Nesse singelo poema de admiração
Quantas ladeiras ainda terei de subir?
Encontro-te em meio à multidão
Só pra te dizer: não te esqueci. 

Meu destino não sei ao certo
Mas das músicas que sempre ouço
Assim de mim estivesse perto 

Seu destino sei tampouco
Pergunta-me se te dou o ouro
Respondo: sim, com muito afeto!

Ouro Preto

Que Deus te abençoe, meu filho

Tenho a concepção ideológica de não dar esmola. Seja por não ajudar a solucionar o problema, seja por condicioná-lo a comodidade, válido para jovem, adulto, até mesmo artista cênico; mesmo porque qualquer um que aprende habilidades manuais com tamanha destreza em tão pouco tempo merece ser chamado de artista. O problema sempre será mais profundo que essa ponta que aparece nos semáforos. Mas outro dia furtei-me de meus principios. Deve ser porque não resisto a um velhinho. Olhar idoso, voz idosa, com mão estendida, cortam meu coração em pedaços que mágico nenhum consegue juntar. Tentei ignorar, passei como se não fosse comigo aquela voz rouca daquela senhora sentada no meio da rua. Seu cobertor só cobria as pernas até a altura das coxas. Sua mão estendida, mesmo frente à minha indiferença, soou mais alto que qualquer palavra. Parei. Voltei. Das moedas que tinha no bolso nenhuma restou comigo. Ao entregar, percebo algo que tocou-me ainda mais. Além de idosa pedinte, o que já é um desespero para qualquer olhar otimista para o mundo, percebo que também é cega. Seu olhar reto no horizonte, agradecendo pela mísera doação feita,  comprovou minha suspeita. Tenho a desgraça de ver a imagem triste e depressiva de uma pobre miserável, impotente, em seu crepúsculo da vida. Feliz torna-se nesse momento essa senhora, que possui a singela graça de não ver minha humilhação e decepção diante do mundo e das pessoas, em que se permite ofertar comida e bom banho a alguns favorecidos, menos a ela. Não bastasse isso, ainda recebo um carinhoso “Que Deus te abençoe, meu filho”. Queria que todos fossem surdos; alimentaria ainda mais minha omissão diante da vida.

Que Deus te abençoe, meu filho

Acender velas

Hoje, dia 02 de junho, comemoro meu aniversário. Tanto riso, oh quanta alegria. Mais de mil palhaços no salão. Momento de compartilhar com os meus mais um ano de sobrevida. Apagar 27 velas e fazer desejos. Pena que sou adepto das idéias de Rubem Alves, portanto prefiro acender velas ao invés de apagá-las, como chama que nasce a cada nova celebração. Nesse dia, apesar de renovar as esperanças de um futuro bom, é tempo também de acertar o presente para que o passado possa ser vivido mais avidamente em nossos dias. Como diz Mario Quintana: “Nós vivemos a temer o futuro, mas é o passado que nos atropela” e “A saudade que dói mais fundo – e irremediavelmente – é a saudade que temos de nós”. Viver a vida e orgulhar dos seus atos presentes é um dom que deve-se almejar. E por falar nisso, aprecio muito dar presentes, ainda mais quando é util a quem recebe. Um significado especial?  Tantas pretensões por trás desse ato tão altruísta.

Acender velas

Simplicidade

Ah! A palavra mais linda que conheço: simplicidade. Todo erudismo não compreende todo seu lirismo. Não entendeu? Simples. Tão simples quanto a concha que faz as mãos de uma criança ao beber da bica inocente. Simples como 7 cores criam as mais belas de artes. Simples como um jogo de futebol que faz do homem simples de agradar. Simples como uma mulher que, por mais que nunca a entenda, entendo que pra agradá-la é ainda mais simples: basta ouvi-la. Simples. Pena que os prazeres da vida são cada vez mais o que temos de menos em nosso dia-a-dia. Não sabemos mais apreciar o domingo de manhã, momento mais simples da semana. Ouvir um velhinho na praça contar o quanto “sou do tempo que” nunca foi tão penoso. Mas veja bem: por isso não confunda simples com fácil. Ou ainda acha que é facil conseguir o simples? Como diz Chopin: “Simplicidade é a realização máxima”. Realização essa também dita por Clarice: “Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.”

Simplicidade