Ah… a praia!

Minha fascinação por ela é uma imensidão, é imensurável. E pensar que é formada na mais tranquila e paciente espera. Foram necessários milhões de anos para podermos desfrutar de algumas horas do dia; no meu caso, de um bom feriado. Largo meus afazeres e presto somente atenção nela. O vento que vem de lá traz-me uma felicidade que não encontro nesse lado de cá. Mesmo que seja por pouco tempo, faço tudo para que esse tempo seja necessário, não para que desfrute de tudo que ela ofereça, e sim para que eu sempre sinta vontade de visitá-la. Sua voz é tão linda que tem concha que teima a imitá-la. Repare como ela é completa. Sinto o quente da areia, o frio da maré que chega. Oferece-me comida. Nunca me canso de falar dos ensinamentos da natureza. Tudo que vale a pena deve ser cultivado na medida certa do tempo. O perfeito é criado sem muita pressa, tornando-se duradouro. Que assim seja meu amor por ela. Quente quando está perto, frio quando a saudade aperta. Alimentado por tudo que está dentro dela. E que surja no tempo certo, para que possamos desfrutar na medida certa por um tempo indefinido. Para que no final eu possa prestar somente atenção nela.

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Ah… a praia!

Impossível

Será possível falar do impossível? É um desafio para qualquer um que ouse tentar. E veja como nos surpreende a cada momento que acontece! Porém se acontece, nem é tão impossível assim, não é mesmo? Um filósofo já disse que nossos sonhos devem ser irreais, pois à medida que os conquistamos, os deixamos de lado e partimos para outro. Verdade. Mas o bom é quando ele acontece quando menos se espera. O nosso querer deveria estar contido no subconsciente, pois tudo que é bom deveria ser exposto na minha singela surpresa. Buscar algo é muito bom, conquistá-lo, melhor ainda; caso ele aconteça quando menos se espera e ainda de forma mais prazerosa… perfeito! Deixo o prazer da busca somente para os filósofos. Quero atingir cada sonho. Uma vida sem meta é uma vida sem propósito. Por mais imprevisível que um indivíduo possa ser, nada mais importante no viver do que colocar sentido à vida. Mas não me deixe ser um homem de um prazer só. Meu prazer é ter prazer de todos prazeres da vida. E não existe o impossível. Não pelo menos sonhos. Se hoje é impossível, é porque você ainda não sonhou com sua realização.

Impossível

Silêncio

Está bem. Confesso que as vezes sou um frouxo. Deixo de falar certas coisas e me arrependo por não ter tido a coragem de tentar. Talvez queria que ela tivesse a qualidade sobrenatural de entender o que digo por trás de cada gesto meu. Talvez explorar ainda mais essa qualidade intuitiva que as mulheres possuem. Como diz Fernando Sabino: “Todo mundo tem dois olhos para ver, que coisa estranha. É preciso ver a realidade que se esconde além, onde a vista não alcança”. Rubem Alves também já tinha dito: “O essencial se encontra fora das palavras”.  No entanto, esqueço que ela deseja não só ser entendida, mas também deseja ser acariciada com palavras sinceras. Nada de rodeios, meu caro amigo, desde que seja uma conquista com propósito claro! Exigir tamanha qualidade dela é um forma egoísta minha de não buscar perseveramente o que realmente toca meu coração. No final de tudo, não se deve confundir silêncio com omissão. Pois, para John Powell, “Para compreender as pessoas devo tentar escutar o que elas não estão dizendo, o que elas talvez nunca venham a dizer”. Eu vou dizer, querida. Talvez já até disse antes, em outras palavras. Quer que eu repita?

Silêncio

Riqueza

Para Rômulo e Família

Qual a verdadeira riqueza desse mundo? No dicionário é sinônimo de abundância, ostentação e luxo. Mas acredito que esteja longe disso. Recentemente tive dois exemplos claros de que a riqueza de fato está contida em outra fonte. Vi um programa que mostrou a história de um senhor heptagenário que possui três empregos humildes, acorda as 4:oo para começar a rica jornada de trabalho, adorado por todos habitantes da pacata cidadezinha. Quer saber se é infeliz? Seu sorriso espontâneo a todo momento responde essa pergunta. Quer outro exemplo? Há alguns dias fui hospedado na casa de um grande amigo. Casa simples que acompanha uma familia simples e linda. A todo momento sou questionado se estou sendo bem tratado. A todo momento recebo pedido de desculpas por qualquer falha na hospedagem. Para minha surpresa, encontro uma mesa farta sempre, e quando digo farta não significa nenhuma ostentação. Encontro também uma mãe autônoma que cria seus filhos com muita intuição e amor. Intuição que é expresso no coração bondoso de seus filhos; ajudado por um padrasto carinhoso e dedicado. Sou uma pessoa rica? Sou a medida que aprendo com o senhor heptagenário e choro com sua história de superação. Sou a medida que extraio dessa familia todas as qualidades que preciso para ter uma familia verdadeiramente rica de sentimentos e preceitos de vida. Quero viver dessa fonte de forma inesgotável.

Riqueza

O Encontro

Vou confessar que torço pra que aconteça sempre desse jeito, mas sempre desse jeito que se costumam idealizar. Seja numa festa, seja numa noite na caminhada na praia, seja sentado numa lanchonete favorita. Sem nenhuma pretensão algo os envolve e começa aquele papo, também desprentencioso, e que logo poderá tornar-se especial. Não é a toa que essa idealização gera tanto fascínio. No filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” não somente acontece, como acontece duas vezes com o mesmo casal. Ambas de forma tão espontânea e especial. Mas tomo cuidado para não me iludir. Acredito que espontaneidade e premeditação não andam juntos. É espontâneo exatamente porque não se deve programar, e torna-se especial exatamente porque é espontâneo. Como um bonito gesto de carinho espontâneo de um criança que o beija a face, um encontro como esse é um beijo a vida, vida essa que torna-se especial a cada novo caminho traçado, a cada novo lugar visitado, a cada nova boca beijada, a cada nova experiência vivida, especialmente aquela experiência não programada, especialmente aquele encontro.

O Encontro

Olhar

Não é um tema novo, mas me enche bastante os olhos. O amor, a paixão, ou seja, todos os sentimentos agradáveis ao coração começa primeiro no olhar, no simples ato de olhar. Olhos como janelas da alma é um clichê mais que certo. Mario Quintana finaliza um lindo poema ao dizer que “quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação”. Perfeito. Sheakspeare também diz: “Entender com os olhos é um atributo da fina sutileza do amor”. Perfeito também. Posso discorrer por horas; mal sei que pra ela bastaria aquele olhar. Digo muito e entendo muito em um sentido que dispensa explicações, mas que só acontece quando há a sintonia. Deve ser essa sutileza que procuro ao olhar nos olhos dela. Sou apaixonado pelo olhar.

Olhar

Aos Pais Ausentes

(texto que escrevi para o convite de minha formatura)

A partida sempre é dolorosa, ainda mais quando esperamos que sua presença seja eterna ao nosso lado. Muda nossas vidas por completo. Temos que agora adaptar-se a não ter aquele pai ou mãe ao seu lado. A mão, que antes te amparava nos momentos de dificuldade, agora não existe mais, pelo menos não do jeito que queríamos, porque ainda nos toca em nossos corações, como um vento frio que sopra no meio da noite. O coração aperta e as lágrimas descem, como se elas pudessem dizer algo a eles, assim como descem nesse exato momento que escrevo essas palavras. O que resta a mim? Prefiro não ficar triste. Se amamos mesmo, levaremos somente momentos de felicidade, que completam nosso dia de uma forma mais alegre e esperançosa. Se somos o que somos, devemos somente a eles, genética incondicional, assim como foi seu amor por nós. Amamos e sempre amaremos independente da distância física e temporal. Não somos eternos, mas eterno sempre vai ser seu amor por nós, filhos que sentem saudades.

 

Aos Pais Ausentes