Ah… a praia!

Minha fascinação por ela é uma imensidão, é imensurável. E pensar que é formada na mais tranquila e paciente espera. Foram necessários milhões de anos para podermos desfrutar de algumas horas do dia; no meu caso, de um bom feriado. Largo meus afazeres e presto somente atenção nela. O vento que vem de lá traz-me uma felicidade que não encontro nesse lado de cá. Mesmo que seja por pouco tempo, faço tudo para que esse tempo seja necessário, não para que desfrute de tudo que ela ofereça, e sim para que eu sempre sinta vontade de visitá-la. Sua voz é tão linda que tem concha que teima a imitá-la. Repare como ela é completa. Sinto o quente da areia, o frio da maré que chega. Oferece-me comida. Nunca me canso de falar dos ensinamentos da natureza. Tudo que vale a pena deve ser cultivado na medida certa do tempo. O perfeito é criado sem muita pressa, tornando-se duradouro. Que assim seja meu amor por ela. Quente quando está perto, frio quando a saudade aperta. Alimentado por tudo que está dentro dela. E que surja no tempo certo, para que possamos desfrutar na medida certa por um tempo indefinido. Para que no final eu possa prestar somente atenção nela.

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Ah… a praia!

Silêncio

Está bem. Confesso que as vezes sou um frouxo. Deixo de falar certas coisas e me arrependo por não ter tido a coragem de tentar. Talvez queria que ela tivesse a qualidade sobrenatural de entender o que digo por trás de cada gesto meu. Talvez explorar ainda mais essa qualidade intuitiva que as mulheres possuem. Como diz Fernando Sabino: “Todo mundo tem dois olhos para ver, que coisa estranha. É preciso ver a realidade que se esconde além, onde a vista não alcança”. Rubem Alves também já tinha dito: “O essencial se encontra fora das palavras”.  No entanto, esqueço que ela deseja não só ser entendida, mas também deseja ser acariciada com palavras sinceras. Nada de rodeios, meu caro amigo, desde que seja uma conquista com propósito claro! Exigir tamanha qualidade dela é um forma egoísta minha de não buscar perseveramente o que realmente toca meu coração. No final de tudo, não se deve confundir silêncio com omissão. Pois, para John Powell, “Para compreender as pessoas devo tentar escutar o que elas não estão dizendo, o que elas talvez nunca venham a dizer”. Eu vou dizer, querida. Talvez já até disse antes, em outras palavras. Quer que eu repita?

Silêncio

O Encontro

Vou confessar que torço pra que aconteça sempre desse jeito, mas sempre desse jeito que se costumam idealizar. Seja numa festa, seja numa noite na caminhada na praia, seja sentado numa lanchonete favorita. Sem nenhuma pretensão algo os envolve e começa aquele papo, também desprentencioso, e que logo poderá tornar-se especial. Não é a toa que essa idealização gera tanto fascínio. No filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” não somente acontece, como acontece duas vezes com o mesmo casal. Ambas de forma tão espontânea e especial. Mas tomo cuidado para não me iludir. Acredito que espontaneidade e premeditação não andam juntos. É espontâneo exatamente porque não se deve programar, e torna-se especial exatamente porque é espontâneo. Como um bonito gesto de carinho espontâneo de um criança que o beija a face, um encontro como esse é um beijo a vida, vida essa que torna-se especial a cada novo caminho traçado, a cada novo lugar visitado, a cada nova boca beijada, a cada nova experiência vivida, especialmente aquela experiência não programada, especialmente aquele encontro.

O Encontro

Olhar

Não é um tema novo, mas me enche bastante os olhos. O amor, a paixão, ou seja, todos os sentimentos agradáveis ao coração começa primeiro no olhar, no simples ato de olhar. Olhos como janelas da alma é um clichê mais que certo. Mario Quintana finaliza um lindo poema ao dizer que “quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação”. Perfeito. Sheakspeare também diz: “Entender com os olhos é um atributo da fina sutileza do amor”. Perfeito também. Posso discorrer por horas; mal sei que pra ela bastaria aquele olhar. Digo muito e entendo muito em um sentido que dispensa explicações, mas que só acontece quando há a sintonia. Deve ser essa sutileza que procuro ao olhar nos olhos dela. Sou apaixonado pelo olhar.

Olhar

Ouro Preto

Para Lorenna Matos

Pergunta-me se a amo de verdade
Respondo com coisas simples da vida
não falo de pôr-do-sol ou liberdade
apenas do seu olhar na despedida. 

Nesse singelo poema de admiração
Quantas ladeiras ainda terei de subir?
Encontro-te em meio à multidão
Só pra te dizer: não te esqueci. 

Meu destino não sei ao certo
Mas das músicas que sempre ouço
Assim de mim estivesse perto 

Seu destino sei tampouco
Pergunta-me se te dou o ouro
Respondo: sim, com muito afeto!

Ouro Preto