Simplicidade

Ah! A palavra mais linda que conheço: simplicidade. Todo erudismo não compreende todo seu lirismo. Não entendeu? Simples. Tão simples quanto a concha que faz as mãos de uma criança ao beber da bica inocente. Simples como 7 cores criam as mais belas de artes. Simples como um jogo de futebol que faz do homem simples de agradar. Simples como uma mulher que, por mais que nunca a entenda, entendo que pra agradá-la é ainda mais simples: basta ouvi-la. Simples. Pena que os prazeres da vida são cada vez mais o que temos de menos em nosso dia-a-dia. Não sabemos mais apreciar o domingo de manhã, momento mais simples da semana. Ouvir um velhinho na praça contar o quanto “sou do tempo que” nunca foi tão penoso. Mas veja bem: por isso não confunda simples com fácil. Ou ainda acha que é facil conseguir o simples? Como diz Chopin: “Simplicidade é a realização máxima”. Realização essa também dita por Clarice: “Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.”

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Simplicidade

Velhice e solidão

Sou apaixonado por Mário Quintana. Isso acontece há muito tempo. Ele diz que “com o tempo, não vamos ficar sozinhos apenas pelos que se foram: vamos ficando sozinhos uns dos outros”. Temos que vencer a solidão não somente no começo da vida, quando ultrapassamos uma barreira e somos amparado por uma mãe, mas também quando chegamos ao fim dela e somos desamparados pelos que nos rodeiam. Acostumados a andar em bandos, somos aos poucos renegados a andar em pares, quando por fim caminhamos sozinhos.  E o pior de tudo: perder a liberdade, pois como diz Clarice lispector, “quem ama a solidão não ama a liberdade”. É na presença dos meus que encontro minha liberdade.

Velhice e solidão