Roda Gigante e Suco Natural

Gosto de arroz carreteiro, carne de panela e frango com quiabo. Gosto de sentir o cheiro de terra molhada depois daquele toró no fim de tarde. Gosto de sair pra rua, olhar para o pôr-do-sol e sentir aquela brisa vinda do leste. Gosto do sorriso de uma criança que lhe oferece no meio da rua sem nem ao menos o conhecer. Gosto do abraço de quem realmente deseja te abraçar. Gosto de suco natural. É impressionante como o natural nessas horas torna-se sobrenatural. Acostumados com tudo que é fast, eletrônico e enlatado, o que antes era comum agora torna-se precioso. Por mais que o ser humano adquira cada vez mais conhecimento, é a natureza quem retém o verdadeiro conhecimento da vida. Ela ensina. Quando o sr. Geraldo de Alcantra, diplomata de respeito, decidiu passar uns dias em um modesto sítio de seu motorista, seu José, ele já imaginava todas as delícias que um dia ele deixou pra trás. Porém, quando sentou à mesa de dona Conceição, mulher de seu José, deparou com uma mesa composta de salgadinhos fritos e um suco de caixinha. Como bom diplomata, disse ao seu José: “Zé, por que me rebaixa a tanto?” Como uma roda-gigante, vivemos nesse dilema de novo século: quando chegamos na parte mais baixa temos a opção de pôr os pés no chão e sair para a realidade. Mas do alto, onde tem a vista mais bela, vemos a natureza nos limites da cidade. É lá no alto que contemplamos as coisas simples da vida. Como disse Jean Le Rond DÁlembert: “A simplicidade é a consequência natural da elevação dos sentimentos”.

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Roda Gigante e Suco Natural