Acender velas

Hoje, dia 02 de junho, comemoro meu aniversário. Tanto riso, oh quanta alegria. Mais de mil palhaços no salão. Momento de compartilhar com os meus mais um ano de sobrevida. Apagar 27 velas e fazer desejos. Pena que sou adepto das idéias de Rubem Alves, portanto prefiro acender velas ao invés de apagá-las, como chama que nasce a cada nova celebração. Nesse dia, apesar de renovar as esperanças de um futuro bom, é tempo também de acertar o presente para que o passado possa ser vivido mais avidamente em nossos dias. Como diz Mario Quintana: “Nós vivemos a temer o futuro, mas é o passado que nos atropela” e “A saudade que dói mais fundo – e irremediavelmente – é a saudade que temos de nós”. Viver a vida e orgulhar dos seus atos presentes é um dom que deve-se almejar. E por falar nisso, aprecio muito dar presentes, ainda mais quando é util a quem recebe. Um significado especial?  Tantas pretensões por trás desse ato tão altruísta.

Acender velas

Velhice e solidão

Sou apaixonado por Mário Quintana. Isso acontece há muito tempo. Ele diz que “com o tempo, não vamos ficar sozinhos apenas pelos que se foram: vamos ficando sozinhos uns dos outros”. Temos que vencer a solidão não somente no começo da vida, quando ultrapassamos uma barreira e somos amparado por uma mãe, mas também quando chegamos ao fim dela e somos desamparados pelos que nos rodeiam. Acostumados a andar em bandos, somos aos poucos renegados a andar em pares, quando por fim caminhamos sozinhos.  E o pior de tudo: perder a liberdade, pois como diz Clarice lispector, “quem ama a solidão não ama a liberdade”. É na presença dos meus que encontro minha liberdade.

Velhice e solidão