Tragédia

Ferreira Gular disse que seus poemas nascem do espanto. Entendo que seja daquelas epifanias divinas. O que me espanta no entanto é a tragédia, seja ela coletiva ou individual. Nesse momento há a comoção porque temos empatia pelo outro. Choramos porque não estava no programado. Choros se traduzem em poemas. Não precisamos de palavras. Abraços são refrões, beijos são rimas. De um poema nasce a esperança, da tragédia nasce a reflexão e a certeza de foi necessária para que nos tornássemos seres melhores. É preciso levantar e superar cada espanto da vida.

Tragédia

Poema e pintura

Acabo de ver Adelia Prado no Programa Roda Viva da Cultura. Além de deleitar-me com a entrevista, gostei de algo dito por ela: a pintura é o que mais se assemelha à poesia. E de fato traz a mim exato sentimento. Deve ser porque são nascidas de total silêncio e pessoalidade. Nada pode ser tão seu. A música pode até ser a vontade colocar esse silêncio em movimento. E o cinema pode até ser a música em sua idade mais madura. Mas realmente é o poema, junto com a pintura, a maior expressão de que o seu pode ser de todos.

Poema e pintura