Poema e pintura

Acabo de ver Adelia Prado no Programa Roda Viva da Cultura. Além de deleitar-me com a entrevista, gostei de algo dito por ela: a pintura é o que mais se assemelha à poesia. E de fato traz a mim exato sentimento. Deve ser porque são nascidas de total silêncio e pessoalidade. Nada pode ser tão seu. A música pode até ser a vontade colocar esse silêncio em movimento. E o cinema pode até ser a música em sua idade mais madura. Mas realmente é o poema, junto com a pintura, a maior expressão de que o seu pode ser de todos.

Poema e pintura

Silêncio

Está bem. Confesso que as vezes sou um frouxo. Deixo de falar certas coisas e me arrependo por não ter tido a coragem de tentar. Talvez queria que ela tivesse a qualidade sobrenatural de entender o que digo por trás de cada gesto meu. Talvez explorar ainda mais essa qualidade intuitiva que as mulheres possuem. Como diz Fernando Sabino: “Todo mundo tem dois olhos para ver, que coisa estranha. É preciso ver a realidade que se esconde além, onde a vista não alcança”. Rubem Alves também já tinha dito: “O essencial se encontra fora das palavras”.  No entanto, esqueço que ela deseja não só ser entendida, mas também deseja ser acariciada com palavras sinceras. Nada de rodeios, meu caro amigo, desde que seja uma conquista com propósito claro! Exigir tamanha qualidade dela é um forma egoísta minha de não buscar perseveramente o que realmente toca meu coração. No final de tudo, não se deve confundir silêncio com omissão. Pois, para John Powell, “Para compreender as pessoas devo tentar escutar o que elas não estão dizendo, o que elas talvez nunca venham a dizer”. Eu vou dizer, querida. Talvez já até disse antes, em outras palavras. Quer que eu repita?

Silêncio