Simplicidade

Ah! A palavra mais linda que conheço: simplicidade. Todo erudismo não compreende todo seu lirismo. Não entendeu? Simples. Tão simples quanto a concha que faz as mãos de uma criança ao beber da bica inocente. Simples como 7 cores criam as mais belas de artes. Simples como um jogo de futebol que faz do homem simples de agradar. Simples como uma mulher que, por mais que nunca a entenda, entendo que pra agradá-la é ainda mais simples: basta ouvi-la. Simples. Pena que os prazeres da vida são cada vez mais o que temos de menos em nosso dia-a-dia. Não sabemos mais apreciar o domingo de manhã, momento mais simples da semana. Ouvir um velhinho na praça contar o quanto “sou do tempo que” nunca foi tão penoso. Mas veja bem: por isso não confunda simples com fácil. Ou ainda acha que é facil conseguir o simples? Como diz Chopin: “Simplicidade é a realização máxima”. Realização essa também dita por Clarice: “Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.”

Simplicidade

Roda Gigante e Suco Natural

Gosto de arroz carreteiro, carne de panela e frango com quiabo. Gosto de sentir o cheiro de terra molhada depois daquele toró no fim de tarde. Gosto de sair pra rua, olhar para o pôr-do-sol e sentir aquela brisa vinda do leste. Gosto do sorriso de uma criança que lhe oferece no meio da rua sem nem ao menos o conhecer. Gosto do abraço de quem realmente deseja te abraçar. Gosto de suco natural. É impressionante como o natural nessas horas torna-se sobrenatural. Acostumados com tudo que é fast, eletrônico e enlatado, o que antes era comum agora torna-se precioso. Por mais que o ser humano adquira cada vez mais conhecimento, é a natureza quem retém o verdadeiro conhecimento da vida. Ela ensina. Quando o sr. Geraldo de Alcantra, diplomata de respeito, decidiu passar uns dias em um modesto sítio de seu motorista, seu José, ele já imaginava todas as delícias que um dia ele deixou pra trás. Porém, quando sentou à mesa de dona Conceição, mulher de seu José, deparou com uma mesa composta de salgadinhos fritos e um suco de caixinha. Como bom diplomata, disse ao seu José: “Zé, por que me rebaixa a tanto?” Como uma roda-gigante, vivemos nesse dilema de novo século: quando chegamos na parte mais baixa temos a opção de pôr os pés no chão e sair para a realidade. Mas do alto, onde tem a vista mais bela, vemos a natureza nos limites da cidade. É lá no alto que contemplamos as coisas simples da vida. Como disse Jean Le Rond DÁlembert: “A simplicidade é a consequência natural da elevação dos sentimentos”.

Roda Gigante e Suco Natural