Tragédia

Ferreira Gular disse que seus poemas nascem do espanto. Entendo que seja daquelas epifanias divinas. O que me espanta no entanto é a tragédia, seja ela coletiva ou individual. Nesse momento há a comoção porque temos empatia pelo outro. Choramos porque não estava no programado. Choros se traduzem em poemas. Não precisamos de palavras. Abraços são refrões, beijos são rimas. De um poema nasce a esperança, da tragédia nasce a reflexão e a certeza de foi necessária para que nos tornássemos seres melhores. É preciso levantar e superar cada espanto da vida.

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Tragédia

Desarmargar a vida

Para Sandra Oliveira

O ser humano é a faca de dois gumes. Apesar de decepcionar-me muitas vezes, tenho que confessar que é muito bom quando me admira. E o que mais me admira é sua capacidade de superar-se. E não falo somente de superar-se nas condições humanas, mas digo em criar algo a partir do inusitado. Quem diria que poderia pegar algo amargo e transformar em algo tão prazeroso! Em seu blog (http://apenasumavez.wordpress.com), Sandra confessa seu prazer pelo café e por tudo que ele representa. Eu digo mais, o café pode mudar o mundo. Imagina se tudo que fosse amargo pudesse tornar-se prazeroso? Como é amargo ver o sofrimento de uma criança fazendo malabarismo nos semáforos! Como é amargo vermos crianças mutiladas em cidades do Oriente Médio! Como é amargo vermos as favelas do Rio dominadas pelo narcotráfico e autoridades corruptas! Quem sabe um dia o ser humano utilizar-se-á sua inteligência para saborear a vida desarmargando-a. Hoje o café tem seu charme. O capuccino é o um senhor de terno que desfruta de finesa e requinte, assim como o popular cafezinho representa o brasileiro clássico que mata um leão a cada dia. O café é democrático. Queremos ver charme e democracia naquela criança-malabarista, naquele palestino mutilado, naquele morador da favela. Pois no fundo há uma esperança de superação, basta ver o sorriso no rosto deles ao tomar aquele cafezinho.

Desarmargar a vida